Sunday, April 05, 2020

Quanto vale uma vida?

A vida não é fácil, se fosse não lhe dávamos o valor devido.
São os momentos difíceis que nos lembram que já estivemos melhor e nos fazem apreciar o que tínhamos e lutar para voltarmos a ter. São também esses momento que nos lembram que já passámos por outras alturas complicadas e sobrevivemos.
Estamos sempre a ser postos à prova.
Há dois anos vivi um confinamento semelhante a este, nesse caso já tinha a doença. A ameaça continuo sempre a tê-la e essa ameaça faz com que o motivo deste actual confinamento seja um perigo maior para mim.
A vida não é fácil, mas vale a pena viver.
Estamos confinados, não estamos raptados, torturados, violentados. Estamos "apenas" ameaçados. Uma ameaça que é semelhante para todos, para uns é maior que para outros, mas todos estamos ameaçados e todos temos pessoas que pertencem àqueles grupos para quem a ameaça é maior.
O único sacrifício que temos de fazer é tentar ficar o mais possível em casa. Só isso... Não temos de passar por tratamentos dolorosos, não temos de ser torturados, não temos de nos calar - temos de ficar em casa.
Sabemos, ou tememos, que as consequências económicas para o país e para nós poderão ser desastrosas, mas pergunto: trocavam a vida dos vossos pais/avós/filhos por segurança económica? É isso que se pede: pede-se que, para mantermos em especial aqueles mais frágeis seguros, passemos dificuldades futuras... quanto vale uma vida?


Thursday, March 26, 2020

Nós e eles... Dos nacionalismos e patriotismos

Na minha família somos "nós", as outras famílias todas são "eles". Odeio as outras famílias todas? Não. Tenho orgulho dos feitos dos meus pais, avós, etc., mesmo que esses feitos não tenham sido alcançados por mim. mas foram por pessoas que, de alguma forma, a mim estão ligadas.
Na minha terra somos "nós", nas outras são "eles". Odeio todas as outras terras? Não. Tenho orgulho dos feitos dos antigos que viveram na minha terra, mesmo que esses feitos não tenham sido alcançados por mim, mas foram por pessoas que, de alguma forma, a mim estão ligadas.
No meu país somos "nós", nos outros são "eles". Odeio todos os outros países? Não. Tenho orgulho dos feitos dos antigos que viveram no meu país, mesmo que esses feitos não tenham sido alcançados por mim, mas foram por pessoas que, de alguma forma, a mim estão ligadas.
No meu planeta somos "nós", nos outros são "eles". Odeio todos os outros planetas? Impossível, nem sei se têm gente... Tenho orgulho dos feitos dos antigos que viveram no meu planeta, mesmo que esses feitos não tenham sido alcançados por mim, mas foram por pessoas que, de alguma forma, a mim estão ligadas.

Não há problema algum em termos orgulho dos nossos pais, avós, antepassados, terra, país, planeta e há sempre um "nós" e um "eles", sem que o "eles" tenha de ter um peso negativo, porque, de alguma forma, podemos todos ser nós. Não há mal nenhum, pelo contrário, em termos um sentido de identidade, em sorrirmos ao ouvir um fado enquanto estamos no estrangeiro, ou em ter saudades da bica/cimbalino. Não há problema nenhum em ter orgulho por ter uma pronúncia da nossa terra, ou em sorrir quando ouvimos um "carago" enquanto estamos em Lisboa. Isso é ter orgulho no nosso país, ou do nosso "cantinho". É termos uma identidade. Isso não é sinónimo de odiar os restantes. Odiar os restantes é quando queremos que, estando eles nos seus países, mudem e se tornem mais como "nós". Infelizmente por vezes odiamo-nos a nós quando aceitamos que o nosso canto mude por causa "deles".


Wednesday, March 25, 2020

Made in China


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O Partido Comunista Chinês mentiu e colocou todo o mundo em perigo. Podemos até extrapolar isto e afirmar que a China deve ser punida... a CHINA, não os chineses. Pessoas que afirmam: não comprem mais nos chineses, nem comam mais em restaurantes chineses, estão a ser racistas. Com esta crise acho bem que se queira que se compre produtos portugueses, mas na loja do chinês encontram-se muitos produtos portugueses. As famílias chinesas - muitas delas fugidas da opressão comunista - estão em Portugal há muito anos. A comunidade chinesa nunca criou problemas em Portugal. Não há nenhuma tendência para a criminalidade na comunidade chinesa, pelo contrário. São, em geral, honestos e trabalhadores. Que se queira não comprar produtos "made in china" compreendo, mas isso encontram tantos na loja do chinês, como na loja do "português". Olhem para o rótulo, não para os "olhos" de quem vende.

Wednesday, March 04, 2020

Afogar o nosso barco com os filhos lá dentro



Ontem morreu uma criança de 4 anos nas águas do mar Egeu quando a família tentava chegar à Grécia, desta não houve imagens porque não convém divulgar o motivo desta more (que já não é a primeira, este ano já vão em mais de uma dezena de crianças a morrerem assim, pela mão dos pais).
Esta família meteu-se, junto a outras dezenas de migrantes/refugiados num bote para chegar à Europa. O método sabiam qual era: iam até águas territoriais Gregas e viravam o barco para serem socorridos., é o método habitual neste contrabando que continuamos a alimentar enquanto os recebermos. Há quem fale em desespero, eu falo em falta de amor pelos filhos. Por muito má que fosse a situação na Turquia, os filhos não corriam risco de vida lá, o país não se encontra em guerra. Mas meterem-se num barco que vai ser virado para tentar chegar à Europa, sabendo que os seus filhos vão cair ao mar correndo o risco de não serem salvos a tempo, é colocá-los em risco de vida, matar os filhos num naufrágio provocado é falta de amor aos filhos.
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Monday, March 02, 2020

"Os fascistas do futuro chamarão a si mesmos de antifascistas"

Conhecem o "Handmaids Tale"? Não a série mas o livro.

A história de "Handmaids Tale" ocorre num mundo distópico (pelo menos para a realidade ocidental), onde as mulheres não têm direitos, os homens tomam todas as decisões, as mulheres se vestem todas da mesma cor consoante a sua função (havendo empregadas, esposas,  escravas sexuais para gerar filhos e as "comandantes" dessas escravas) e tudo é muito austero.
Qualquer desvio da norma aceite é severamente punido. Uma realidade que, na verdade, lembra muito a lei da Sharia (homossexualidade é punida por enforcamento; adultério por afogamento; qualquer tentativa de fuga de uma escrava sexual é punida por apedrejamento até à morte; entre outros castigos como cortar dedos se alguém for apanhado a ler; cortar mãos por roubos, etc... - idêntico, como referi, à lei da Sharia do mundo islâmico).

Bom... muita gente associou a história ditatorial do Handmaids Tale ao Trump, mas a história original (que acabou, se não me falha a memória, na segunda temporada da série da televisão) foi escrita em 1985.
O mundo imaginado pela autora, Margaret Atwood, era de um mundo (a América) com uma religião nova (e a série de TV inicialmente foi fiel a essa ideia). Uma das primeiras coisas que ocorreu nessa nova religião foi a destruição de todos os crucifixos (coisa mencionada na série de TV inicialmente mas que, talvez com a pressa de continuar a escrever o seu sucesso, e com o impulso cada vez mais visível de querer rebaixar os conservadores, esqueceram esse aspecto original e agora, na série de TV, a religião já é cristã... uma desatenção (ou desonestidade propositada) vergonhosa da série.

Mas o porquê de se chegar a esse mundo é que acho interessante, e isso é que aqueles que se regozijam com o que julgam ser uma semelhança com o mundo pós-Trump, deveriam constatar:

O mundo antes da revolução que dá origem à dita ditadura distópica (para o mundo ocidental, repito), era um mundo onde os valores morais se invertiam: a homossexualidade vista como algo natural; Os abortos eram um direito comum. Os valores familiares começaram a estar invertidos. Os conservadores eram ameaçados; oprimidos; desrespeitados; silenciados e muitas vezes violentados.
Cansados da opressão em que viviam os conservadores juntaram-se e fizeram uma revolução extremando a situação.

Há semelhanças com a realidade actual? Sim (em especial na série de TV - pois esse é o seu propósito). Mas a crítica não é feita apenas aos conservadores que extremaram a situação criando um ditadura e sim aos que, pela violência, os oprimiram levando-os ao extremo.
Actualmente vemos, cada vez mais, uma perseguição aos conservadores, quer seja pelo silenciamento nas redes sociais- com suspensões e eliminações de contas por dizerem algo tão simples e verdadeiro como "só existem dois sexos" ou "it´s ok to be white"; ou pela coerção e intolerância, muitas vezes através da violência, a quem tenha a coragem de, abertamente, expor as suas ideias conservadoras, impedindo-os de ir falar em conferências e assembleias, muitas vezes através do uso da violência e vandalismo; ou pela ridicularização de conservadores e tentativa de os associar a fascistas e nazis.
A semelhança com o mundo antes da distopia retratada na série é óbvia. A reacção dos conservadores, felizmente (e porque a maioria dos mesmos não é, como quem os ataca gosta de acusar, fascista ou nazi), não é enveredar pela revolução, mas o poder deles, enquanto os "progressistas" não o impedirem, será sempre o voto. É isso que tem assustado os "progressistas": o voto dos conservadores... bem vistas as coisas, os "progressistas" são aqueles que têm demonstrado medo não só da liberdade de expressão e opinião, mas cada vez mais pelo poder da democracia.

Friday, December 06, 2019

Os frequentes ataques da Iniciativa Liberal ao Chega

Já antes critiquei os permanentes ataques da Iniciativa Liberal  ao CHEGA . Tal atitude rebaixa a IL e eleva o Chega (que não fala do assunto). O IL nada tem a ganhar com tais ataques: Quem agora votou Chega fê-lo com convicção, concordemos ou não, essa é a ideologia das pessoas porque o Chega não se ficou com meias medidas e meias propostas. E mesmo que não se concorde com tudo, vota-se sabendo em quê. Quem votou na IL, pelo contrário,foram os liberais clássicos (económicos) que o fizeram apenas concordando inteiramente com um programa económico liberal muito mais bem elaborado do que o do Chega (foi o meu caso). Mas é só. Ficando muitas vezes à nora sobre o que realmente o IL defende para os costumes, as leis, a liberdade individual. Se defendem algo sensato ou se vão cair no erro de nada defender com medo de perder eleitorado (como estão a fazer relativamente à tourada, por exemplo). Uma coisa é uma sociedade liberal, que tem de ter leis e garantir que elas se cumprem, outra é a anarquia. Poucos liberais são, de facto, anárquicos, e nem todo o conservadorismo é um impedimento da liberdade individual. Se o Chega limar o seu programa económico, e sendo mais definido em tudo o resto, o IL tem muito mais a perder para o Chega do que o contrário. Em vez de atacarem, façam melhor.

Friday, October 04, 2019

Esquecemos Pedrógão...

Sim, esquecemos Pedrógão, porque Pedrógão não interessa lembrar. A tragédia foi esquecida quando ainda estava a ocorrer. O Presidente, 11 minutos depois de chegar falava logo da culpa do "raio". O Primeiro-Ministro sacudiu as culpas para cima de todos menos do seu governo e, ainda a terra estava em brasa, e foi ele apanhar sol para Espanha.
Esquecemos. Esquecemos porque não convém lembrar. Um povo sério teria pedido a demissão de um primeiro-ministro logo na altura. Boa parte do eleitorado português finge que este se portou lindamente, fecha os olhos a todas as suas incompetências criminosas e agora também ao facto de termos um primeiro-ministro que tenta agredir um idoso que tenta lembrar que ele esteve de férias ainda a terra estava quente.
Esquecemos Pedrógão desde Junho de 2017.
Esquecemos também da vergonha na cara...

Notícia da altura: Portugal a ferro e fogo e António Costa de Férias


Quanto vale uma vida?

A vida não é fácil, se fosse não lhe dávamos o valor devido. São os momentos difíceis que nos lembram que já estivemos melhor e nos fazem a...